Nos melhores momentos do terceiro e último dia do Festival Bonnaroo, realizado no estado norte-americano do Tennessee, trechos de shows do rapper Snoop Dog, além dos grupos Band of Horses, Neko Case e Okkervill River.
Archive for junho, 2009
Melhores momentos – terceiro dia
quinta-feira, junho 18th, 2009Bruce Springsteen, Wilco e mais nos melhores momentos do segundo dia
segunda-feira, junho 15th, 2009Snoop Dogg, Band of Horses e metal no dia mais eclético do Bonnaroo
segunda-feira, junho 15th, 2009
Tinha para todos os gostos. No último dia do Festival de Bonnaroo, que em festivais tradicionalmente são dedicados a sons mais pesados, o evento norte-americano não fugiu à regra, mas dedicou um palco aos headbangers e outros dois a outras vertentes.
O palco do peso abriu o dia com o show enérgico do Dillinger Scape Plan e lotou a arena de camisetas pretas do meio da tarde para frente com High on Fire e Shadows Fall.
A uns 500 metros de distância, o cenário era o oposto, com Andrew Bird e seu folk-jazz lotado de violinos abrindo a tarde para a atração principal, o country alternativo altamente influenciado por Neil Young da Band of Horses. Fizeram um show tão bonito quanto tranqüilo – muita gente aproveitou para assistir à apresentação deitada no gramado.
Já o palco principal ferveu do meio da tarde para frente. Não era possível andar na maior área aberta do Bonnaroo durante o show de Snoop Dogg, que fez uma manada de milhares de branquelos se sentirem um pouco gangstas.

E todos os palcos secundários baixaram as cortinas para a apresentação final do festival, a banda das imensas jams e que é tão adorada nos Estados Unidos quanto desconhecida no Brasil Phish. Mas como era a segunda apresentação deles no evento, boa parte do público já havia pegado o caminho de casa.

5 dicas para se dar bem em um festival no exterior
domingo, junho 14th, 2009Para o festival de Glastonbury, na Inglaterra, no final deste mês, talvez não dê tempo. Mas para outros quatro excelentes – Roskilde, na Dinamarca, Eurockéenes, na França, Benicassim, na Espanha, e Reading/Leeds, na Inglaterra – ainda dá. E é uma viagem que costuma ser mais acessível do que você imagina.
Ingressos para os eventos são conseguidos pela própria internet. E a viagem você organiza inteirinha pelo Brasil também, mesmo que vá acampar em algum.
A conta, no final, não é tão alta – neste Bonnaroo, por seis dias de viagem, com passagens, hotel e um carro alugado, gastei cerca de U$ 1.000. Para ter a oportunidade de assistir 106 shows, muitos deles que nunca passarão pelo Brasil. Se levar em conta que por vezes um ingresso no Brasil beira os R$ 300, passando a régua, somando o turismo e a experiência além da diversão, o negócio vale.
Confira cinco dicas para se dar bem em um festival no exterior:
1. Arrume um amigo para ir junto – Muitas das contas encarecedoras de uma viagem, como hotel e transporte, você passará a dividir pela metade. Além de ser sempre bom ter alguém ao lado para assistência e para dividir as histórias depois.
2. Escolha bem o festival – Por óbvia que pareça a recomendação, não adianta escolher apenas pela escalação das bandas. Tente conciliar o evento a um país que você quer conhecer. Reading, por exemplo, ou Glastonbury são deliciosos, pois Londres fica agitada nos dias que os antecedem, já que muitas bandas vão antes e se apresentam na cidade. Muitas vezes de graça – já peguei shows na faixa de Hot Chip, Black Rebel Motorcycle Club, gravação de DVD do Queens of the Stone Age, nesse esquema.
3. Não siga a loucura dos outros – A imensa maioria das pessoas está no próprio país, com amigos e telefone e acesso emergenciais bem mais fáceis que o seu. Além disso, na maioria dos festivais é um dos poucos meses do ano que faz calor por ali – e todo mundo tende a liberar os bichos aprisionados nos meses frios. Tenha isso em consciência e não chute o balde, pois você estará no mínimo a um oceano de distância de casa.
4. Arrume um agente de viagens – Por mais que você fuce e tente enxugar ao máximo a viagem, há oportunidades que só um agente consegue. Esta viagem para os Estados Unidos, para a cobertura do Bonnaroo, por exemplo, ficou em cerca de U$ 1.000 (sem contar alimentação e ingressos) por pessoa graças à Luiza, da CI. Eu já fui a outros e este é, de longe, o mais em conta.
5. Não tenha vergonha do nível do seu inglês – Por mais que a pessoa saiba, na maioria das vezes rola um bloqueio, uma timidez, na hora de conversar. O negócio é soltar a língua, da maneira que for. É surpreendente o quanto as pessoas te entendem com o mínimo de boa vontade, mesmo que você não seja um nativo. E quantas oportunidades você não deixa passar.
Lucinda Williams
domingo, junho 14th, 2009Thiago Pereira, da equipe do Alto-Falante, veio ao Bonnaroo por conta e gosto. Acompanhou junto a muitos dos shows e contribui com a cobertura com um texto de uma apresentação que gostou.
“Lucinda Williams é um nome pouco conhecido no Brasil, mas uma pequena instituição da música norte-americana. Espécie de musa às avessas do country, a cantora de 56 anos enforca o lado Amélia tão comum às intérpretes do gênero com noites dormidas sozinha em motéis de beira de estrada, letras raivosas contra homens frouxos e uma vitalidade musical notável espalhada em uma discografia irregular, mas repleta de pontos altos. Se Dolly Parton, ícone do gênero, acorda quatro horas antes do marido apenas para se maquiar para ele, Lucinda Williams é a mulher que manda o macho “fuck off” se ele não souber acender o cigarro dela com firmeza. Rock ´n´roll.
Tendo isso em mente, fica mais fácil de entender sua presença no Bonnaroo – ela é definitivamente um canal alternativo, uma outsider dentro do country. Quando encerrou seu show com a excelente versão de “It´s a Long Way To The Top”, do AC/DC (que encerra seu último álbum, “Little Honey”) ficou fácil de entender porque ela foi abraçada com todo calor pelo público presente na This Tent. Os que não optaram pela voz abençoada de Al Green no palco principal ou a inteligência musical do TV On The Radio no Which Stage ganharam um show que vai além do country e alcança o rock americano clássico, repleto de bons riffs de guitarra e solos reluzentes, fazendo jus a uma das maiores influências da moça, a Crazy Horse de Neil Young.
A base do repertório apresentado foi seu último álbum, “Little Honey” lançado no ano passado, com as boas” Honey Bee”, “Little Rock Star” e especialmente a dobradinha “Tears Of Joy” e “Jailhouse Tears”, arrepiando geral, esta última se arrastando num longo blues. Sobrou espaço para alguns clássicos de seu repertório, com a balada “Drunken Angel” e “Bleeding Fingers”, ganhando coro do público. Aliás, a audiência de Lucinda Williams é um show a parte-de tiozinhos com cabelo à Willie Nelson, longos e trançados, até garotos tatuados, incluindo vovós grisalhas e quarentonas enxutas, loiras e de cerveja gelada nas mãos. Tinha até marmanjo que passou boa parte do show gritando “Casa comigo Lucy Liu!”.
Faz sentido o clamor do ianque. Em uma hora e meia de show a voz rouca e forte de Lucinda passeou entre blues, rock e até country,com elegância e paixão. Cruzada entre dois ótimos guitarristas, baixo e a bateria de seu grupo acompanhante, Buick 6 , a moça fez discretamente um dos grandes shows do Bonnaroo 2009. E deixa a gente sonhando com um show desses no Brasil.”
Quatro momentos marcantes do festival
domingo, junho 14th, 2009Ao menos para mim, e gravados com parcos recursos (para os vídeos bacanões e bem editados do festival vá em http://mais.uol.com.br/virgula ou veja aqui mesmo nesta página nos tópicos “melhores momentos”).
Enfim, segue meu Top 4:
Al Green
Mars Volta
Bon Iver
Wilco
Confira um trecho do show de Ben Harper no Bonnaroo
domingo, junho 14th, 2009Bruce Springsteen para festival e faz show de 3h30
domingo, junho 14th, 2009
Bruce Springsteen
Já passa de meia-noite de sábado para domingo, Bruce Springsteen está no palco há mais de três horas e não dá impressão de que vai parar tão cedo. Ele é o headliner da principal noite do festival, acaba de lançar o bom “Working on a Dream”, e o evento abriu uma janela de quatro horas só para que todas as atenções se dirijam ao palco maior, com capacidade para 100 mil pessoas.
Bruce não ganhou todo esse moral de graça. Tem quatro décadas de bons serviços ao rock nas costas, e é uma instituição norte-americana, como a bermuda star spangled banner de Apollo, o Doutrinador, e a Coca-Cola de refil infinito.
Mais.
É artista ponta-de-lança na carismática era Obama. No final da campanha presidencial, fez uma série de shows para o negro que se tornou o homem mais poderoso do planeta. E este considera Bruce um amigo e o chama pelo apelido, “Boss”.
O chefe entra no palco trajando colete preto, uma camiseta apertada por baixo, que ressalta a boa forma, solta um “hello Bonnaroo” e ataca de “Badlands”.
Daí para frente, com quatro horas de atenção exclusiva e um repertório de 40 anos de rock ele deitou e rolou – cantou no meio do público, discursou durante a música que dá título ao trabalho mais recente, colocou os músicos para cantarem, tocou clássicas, como “Thunder Road”, e novas como “Outlaw Pete” e “Lucky Day” mantendo a empolgação do público nas alturas.
Bruce não está sozinho na maratona sonora – a E Street Band, que o acompanha, é um time de futebol, onze músicos com funções bem definidas.
Depois de três horas e meia o show chega ao final. Afinal, é preciso dar chance para Nine Inch Nails e Be Harper fecharem a noite em outros palcos. (Luiz Cesar Pimentel)
Wilco e Bon Iver fazem melhores shows no sábado mágico
domingo, junho 14th, 2009
Wilco
Sábado é o filé mignon de todos os festivais. Mas no Bonnaroo a escalação exagerou na quantidade de boas atrações para o principal dia do evento. Mars Volta fez show bom, The Decemberists fez o show mais bonito, Nine Inch Nails e Ben Harper fecharam a noite com estilo, mas a estrela do dia estava com Wilco e Bon Iver, que fizeram as melhores apresentações da jornada. The Decemberists tocaram no final de tarde na tenda coberta. Apresentaram o disco novo, “Hazards of Love” (candidatíssimo a melhor do ano, escrevam), como este manda, na seqüência, já que é quase uma ópera rock de celebração ao amor. E encantaram. Na obra mais ousada do vocalista, guitarrista e líder Colin Meloy, mestre na arte de criar gemas pop, a banda entrou vestida de terno enquanto a backing vocal cantava com um véu a lhe cobrir braços e cabeça para a apresentação quase teatral do disco. No outro palco, o Mars Volta comprovava que é dono do show mais vigoroso da terra. A banda é conhecida pelas longas improvisações progressivas, qual jazz tocado como hardcore em um bar no inferno. Promovem a destruição, o caos, mas este é milimetricamente planejado, dada a habilidade instrumental dos músicos. O show mistura energia e fúria sonora a física – o vocalista Cedric Bixler-Zavala e o guitarrista Omar Rodriguez-Lopez se contorcem, se atiram no chão, enquanto o baterista destrói o kit com o baixo a acompanhar.
Mas o dia era de Bon Iver, que se apresentou antes dos Decemberists no mesmo palco. Bon Iver, na verdade, é o nome do projeto de Justin Vernon, que passou três meses gelados em uma cabana no Estado do Wisconsin e pariu aquele que foi considerado por muitas publicações o melhor álbum de 2008, “For Emma”. Da experiência de composição, tirou o nome que significa Inverno Bom, em francês. O disco é folk de delicadeza e beleza absolutas. Mas no palco Vernon se transforma, e não são poucas as vezes que transforma o folk em massa caótica de distorção, fazendo lembrar os melhores momentos de Neil Young quando está com a banda Crazy Horse. Fosse uma resenha do festival de Cannes diria que o público aplaudiu de pé por minutos após a apresentação, já que foi o que aconteceu após Bon Iver deixar o palco.
Logo depois, no palco principal, mesmo trazendo a reboque o pior disco da carreira, o Wilco comprovou que é das melhores bandas em atividade no planeta. Fez um show que tangenciou a perfeição – a qualidade de som era tão boa e a banda tão azeitada que parecia estar rodando um disco ao vivo do palco. Um sexteto que consegue criar duelos de três guitarras em músicas como “Handshake Love” e “I´m Trying to Break Your Heart” e fazer uma apresentação bonita até dizer chega.
Galeria de imagens do segundo dia
domingo, junho 14th, 2009Fotos ₢ Terence Machado











